Com o objetivo de promover a saúde da pessoa com hemofilia, o Hemocentro de Belo Horizonte (HBH) desenvolveu, na última sexta-feira, 29, mais um encontro do Projeto Infusão Segura, que teve início em 2016, com a proposta de atualizar a rotina do tratamento domiciliar realizado por pacientes e familiares. Além de proporcionar uma oportunidade de troca de experiências entre os profissionais / pacientes / cuidadores, o projeto configura um momento de aprendizado e fortalecimento do vínculo, possibilitando um maior conhecimento sobre a doença e seu tratamento.
A hemofilia é uma alteração genética e hereditária do sangue que predispõe a sangramentos. Pacientes que apresentem uma simples lesão ou inchaços nos braços ou no joelho precisam se deslocar imediatamente para o hemocentro onde possam ser avaliados e receber o fator de coagulação necessário ao tratamento. Por isso, é fundamental que o paciente seja acompanhado e orientado pela equipe multidisciplinar e médica para avaliar a melhor opção de tratamento, hoje disponível com programas do Ministério da Saúde de profilaxia e dose domiciliar.
Vale ressaltar que o hemocentro é o centro de referência para o tratamento da pessoas com hemofilia. As ações desenvolvidas pelos profissionais estão voltadas à promoção da saúde, adesão ao tratamento e incentivo ao autocuidado.
Qualidade de vida
Segundo a equipe multidisciplinar do HBH, composta por profissionais das áreas de serviço social, farmácia, enfermagem e psicologia, entre outros, os passos mais importantes que contribuem para melhorar a qualidade de vida de quem tem hemofilia, são:
· reforçar nos pacientes e cuidadores a importância da higienização das mãos;
· atualização anual dos exames e acompanhamento com médico de referência;
· técnicas de preparo do fator de coagulação;
· rever a técnica de punção venosa;
· transporte e armazenamento do fator;
· descarte adequado do material hospitalar (agulha/escalpes e frascos).
Para a enfermeira do ambulatório do HBH, Adriana Drumond, por meio dessa reciclagem é possível criar um espaço dinâmico que vise ao melhor desenvolvimento dos pacientes com hemofilia: “Nessa oportunidade, eles fizeram uma representação do que fazem em seu dia a dia. Esses pacientes foram liberados pela Fundação Hemominas para realizarem esse procedimento fora do ambiente hospitalar, só que, passados alguns anos, eles podem ter alterado os processos; assim, aqui é o momento de mostrar como eles o têm feito em casa, o momento de visualizar, corrigir e reorientar as atitudes que são importantes, como higienização das mãos, preparo e administração do fator, punção venosa.Este momento reafirma a possibilidade de continuarem fazendo o tratamento em casa”, explica Adriana.
Entre os relatos de experiências que foram feitos por pacientes na roda de conversa, Elizângela Aparecida e Márcia Salomé, mães de crianças portadoras de hemofilia, se emocionaram ao descrever a rotina dos filhos. Para elas, por se tratar de uma doença pouco conhecida, é um desafio muito grande ter um filho portador de hemofilia,. A reciclagem serve para relembrar os procedimentos corretos que precisamos ter e também é um momento de compartilhar as vitórias adquiridas com o tratamento domiciliar.
Um levantamento feito pela Fundação Hemominas, em agosto deste ano, aponta que cerca de 300 pacientesfazem o tratamento domiciliar disponibilizado pelo Sistema de Saúde Único (SUS), e 115 participaram da reciclagem em 2016-2017. Desde que não coloquem em risco a própria integridade física, os pacientes são aprovados para continuar. Ao final do treinamento, recebem uma declaração, tornando-os aptos a realizarem o procedimento.
Também participaram da reciclagem a assistente social Nádma Dantas e Aline Moraes; as psicólogas Adriana Pereira Souza e Alice Oliver, do ambulatório do HBH, a farmacêutica Andreia Vilela, além dos estagiários e familiares dos pacientes de hemofilia do Hemocentro.