Pesquisadores da Fundação Hemominas participaram, nos dias 20 e 21 de setembro, em Belo Horizonte, de mais um encontro do projeto REDS, do inglês Retrovirus Epidemiology Donor Study), que se encontra em sua terceira etapa e é o maior estudo em anemia falciforme do mundo.

O evento reuniu, também, pesquisadores do Hemope (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco), da Fundação Pró-Sangue, do Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro), do Hospital das Clínicas de Minas Gerais e de São Paulo, da Universidade Federal de Minas Gerais e do Blood System Research Institute, da Califórnia, nos Estados Unidos.

No encontro, o 11º já ocorrido, foram apresentados estudos e análises sobre segurança transfusional e avanços no tratamento de pacientes com a doença falciforme. Segundo o médico patologista da Gerência de Laboratório da Hemominas, Dr. Bruce Magnani, a Fundação participa ativamente do projeto e é uma das instituições mais atuantes quanto aos estudos do REDS: “Acompanhando a evolução dos trabalhos, é possível perceber que a Hemominas possui uma contribuição muito particular quando analisamos os resultados e comparações com outros hemocentros. É interesse acompanhar os resultados e a repercussão das diretrizes adotadas pela instituição”, disse o médico.

Entre tais diretrizes está a participação dos pacientes atendidos no Hemocentro de Montes Claros em pesquisas que contribuem para a evolução dos estudos e que, de acordo com a gerente técnica da unidade, Rosimeire Afonso Mota, se sentem muito satisfeitos em fazer parte do projeto. “Os pacientes se interessam e se sentem realizados em contribuir de alguma forma para melhorar a qualidade de vida deles e das próximas gerações”, disse.
Outras entidades também participam do projeto. Segundo a integrante do grupo Fabiana Chagas Camargos Piassi, do Hospital das Clínicas de Minas Gerais (HC), os estudos do REDS também contribuem para a formação de novos profissionais de saúde que passam pelo HC. Para ela, toda a sociedade ganha quando há novas propostas e avanços que promovam a segurança transfusional. “Além da questão assistencial aos transfundidos, temos uma preocupação especial em relação à formação de novos profissionais que passam pelo HC. É muito recompensador preparar alunos e residentes já engajados nesse trabalho”, afirmou.
Contribuição brasileira: impactos na qualidade de vida

O Projeto REDS, também conhecido como Estudo Multicêntrico Internacional em Doadores e Receptores de Sangue, constitui um grupo de pesquisa, envolvendo cerca de três mil pacientes falciformes. Com o acompanhamento, pretende-se verificar o impacto e os benefícios das transfusões no sistema imunológico desses pacientes. A participação brasileira no projeto começou em 2005, abrangendo quatro instituições brasileiras que atuam na hemoterapia e hematologia: a Hemominas, a Fundação Pró-Sangue, do estado de São Paulo, do Hemorio e da Fundação Hemope. Também fazem parte dos estudos a equipe do Blood Systems Research Institute, dos Estados Unidos, representados pela hematologista Shannon Kelly, responsável por estudos relacionados à doença falciforme nos EUA, e Brian Custer, coordenador do projeto no país.

Para Ester Sabino, coordenadora do projeto no Brasil e pesquisadora da Universidade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMSUP), o REDS aumentou a participação do país nas ações que promovem a segurança transfusional e na atenção básica ao paciente falciforme. Ela salienta que as contribuições do REDS são de extrema relevância tanto para os pacientes falciformes quanto para pesquisadores e profissionais da área. “Os estudos realizados contribuíram para criar diretrizes de atendimento ao paciente e tratamento da doença, além de aumentar a segurança transfusional de modo geral”, disse. Ainda, segundo Ester, os estudos feitos no Brasil têm colaborado muito para a adoção de novos protocolos de atendimento em outras partes do mundo. A exemplo disso, o coordenador do projeto nos EUA, Brian Custer, reitera que algumas das políticas adotadas no país foram baseadas em dados obtidos nos estudos feitos no Brasil. “Os pesquisadores brasileiros contribuem com informações valiosas que servem para a criação de políticas de atenção ao paciente, visando melhorar sua qualidade de vida. Hoje, possuímos estudos mais completos que possibilitam avanços no tratamento desses pacientes não apenas nos Estados Unidos, mas em outros países, como é o caso de algumas regiões da África”, afirmou.

Shannon Kelly, hematologista responsável pelos estudos sobre doença falciforme nos EUA, reforça que esses estudos são essenciais para entender o campo da anemia falciforme e suas informações genéticas. “A partir da análise dos dados genéticos é possível entender melhor como a doença se manifesta e suas implicações. Informações sobre a vida desses pacientes também são muito importantes para que possamos entender as condições de evolução da doença e, quem sabe no futuro, desenvolver tratamentos que possam dar mais qualidade de vida e esperança para essas pessoas”, concluiu.

A doença falciforme é a doença genética de maior incidência no Brasil. Dados obtidos na triagem neonatal revelam que 1 a cada 1.000 crianças nascidas no país possui a doença.

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Encontro de Pesquisadores   anemia falciforme   Projeto REDS III