A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora e coordenadora do REDS - Retrovirus Epidemiology Donor Study -, Ester Sabino, esteve nesta segunda-feira, 22/05, na Fundação Hemominas, com a coordenadora de campo do REDS, Carolina Miranda, e da médica imuno-hematologista Carla Luana Dinardo, da Fundação Pró-Sangue (SP). A equipe se reuniu com a presidente da Hemominas, Júnia Cioffi, com o diretor técnico-científico, Fernando Basques, e com a assessora para Assuntos Internacionais e pesquisadora Anna Bárbara Proietti, para falar sobre a aprovação de mais uma etapa do projeto REDS.
O REDS IV terá a participação de pesquisadores do Brasil e Estados Unidos, diferentemente das etapas anteriores, que englobavam a África do Sul e a China. Para Anna Bárbara, esta é uma excelente notícia, “pois a pesquisa científica no Brasil vem sofrendo com a diminuição dos recursos ao longo dos anos, e conseguir ampliar esse estudo com recursos de outro país é muito significativo”, ressalta. Nesta nova etapa, além da participação dos hemocentros de Belo Horizonte e Montes Claros, outras unidades da Hemominas serão convidadas a participar do estudo.
Anna Bárbara também destaca a parceria nas pesquisas com a USP. “Esse intercâmbio de experiências é essencial para a formação de novos pesquisadores, ajudando na qualificação dos profissionais e dos estudos”.
Doença de Chagas
A coordenadora do REDS, Ester Sabino, também estuda a Doença de Chagas. O projeto de pesquisa “Mortality among blood donors seropositive and seronegative for Chagas disease (1996–2000) in São Paulo, Brazil: A death certificate linkage study**”, desenvolvido junto a uma equipe de pesquisadores da USP, foi objeto de reportagem do canal CNN (em inglês - assista aqui). O trabalho também foi publicado recentemente na revista científica PLOS Neglected.
Ester explica que no Brasil não há um programa para tratamento dos pacientes de Chagas, como existe para o HIV, por exemplo. “É preciso repensar a doença. As pesquisas têm se focado somente no vetor, sem levar em consideração o tratamento dos pacientes”, explica. No estudo realizado pela USP, o cruzamento com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Brasil (SIM) constatou que o risco de morte entre os soropositivos para a Doença de Chagas é 2,3 vezes maior em relação aos doadores soronegativos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 6 milhões de pessoas estão infectadas pela doença no mundo, sendo que 30% delas desenvolvem problemas cardíacos e 10% sofrem com sintomas digestivos ou neurológicos.
**”Mortalidade entre doadores de sangue soropositivos e soronegativos para a doença de Chagas (1996-2000) em São Paulo, Brasil: Estudo de ligação com certificados de óbito”
O que é o REDS
O REDS (Retrovirus Epidemiology Donor Study) é o principal estudo patrocinado pelo U.S. National Heart, Lung, and Blood Institute of the National Institutes of Health (EUA). As pesquisas referem-se ao processo de doação de sangue, ao acompanhamento de exames positivos para vírus em candidatos à doação e, nesta etapa, estuda a doença falciforme, que é um problema de saúde pública no Brasil e a doença genética de maior incidência no mundo.