Análise da soroprevalência do HTLV-1/2 em gestantes atendidas em consultas de pré-natal nas unidades municipais de saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte
Linha de pesquisa:
Doenças transmissíveis por transfusão e transplante
Pesquisador responsável:
Marina Lobato Martins – Fundação Hemominas
Cíntia Faiçal Parenti – Prefeitura de Belo Horizonte
A infecção pelo HTLV-1/2 (vírus linfotrópicos de células T humanas tipos 1 e 2) ocorre pelas vias sexual, vertical (amamentação e transplacentária) e hematogênica (contato com agulhas ou seringas contaminadas, transfusões de sangue e transplante de órgãos) e cerca de 5% dos indivíduos infectados desenvolvem doenças associadas ao vírus. A transmissão do HTLV de mãe para filho leva a uma infecção por toda a vida, aumentando o risco de desenvolvimento de doenças associadas ao HTLV-1. A amamentação da criança por mãe infectada está fortemente associada à transmissão do HTLV e evitar a amamentação é uma intervenção comprovada para interromper a transmissão viral. Até o momento, não há cura para a infecção pelo HTLV-1, de modo que evitar a transmissão viral é a principal estratégia para diminuir a incidência de morbidade e mortalidade associadas ao vírus. A soroprevalência do HTLV em gestantes varia entre as regiões brasileiras, algumas tendo alta prevalência (em torno de 1%). Em 2024, o Ministério da Saúde decidiu incorporar, no âmbito do SUS, o exame para detecção pré-natal de infecção pelo HTLV-1/2 em gestantes. A partir de 2023, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) firmou parceria com a Fundação Hemominas para a testagem confirmatória das gestantes reativas no teste de triagem, e no final de 2024 a Hemominas passou a assumir a testagem completa (teste de triagem e confirmatório) das gestantes atendidas pela PBH. Nesse estudo, nós propomos analisar a soroprevalência do HTLV nessa população pelo período de dois anos (2025 a 2026), contribuindo para a disponibilização de dados que ajudam a orientar políticas públicas de saúde voltadas ao enfrentamento da disseminação da infecção e de assistência às pessoas vivendo com a infecção viral.
Análise da taxa de retorno de doadores de sangue da Fundação Hemominas após inaptidão clínica temporária: fatores associados e motivação
Linha de pesquisa:
Doação de sangue e componentes
Pesquisadora responsável:
Stela Vidigal Milagres Galvão – Fundação Hemominas
A transfusão de sangue é um procedimento antigo da medicina, e vem evoluindo com o tempo. Os bancos de sangue, responsáveis pela coleta e processamento do sangue objetivam atender satisfatoriamente à demanda transfusional, ao mesmo tempo que garantir um produto de qualidade e segurança para o receptor. Para isso, o recrutamento e a retenção de doadores de sangue são elementos fundamentais deste processo, os quais, por razões diversas, torna-se um grande desafio para os serviços de hemoterapia em todo o mundo. A triagem clínica do candidato à doação de sangue é uma etapa anterior à coleta, tendo dois pilares como objetivo principal: garantir a segurança do doador e garantir a segurança do receptor. Assim, a inaptidão clínica do candidato à doação pode ser devida a diferentes motivos, e pode ser considerada temporária ou definitiva. Doadores temporariamente inaptos são aqueles cuja doação é adiada por um intervalo que pode se estender de dias a meses, e decorrido o período pré-definido o voluntário pode retornar e se candidatar à nova doação. A retenção desse público é importante para os bancos de sangue, por serem potenciais doadores de sangue. No entanto, alguns estudos têm mostrado que doadores inaptos temporários têm menos probabilidade de retornar para nova doação do que doadores que não vivenciaram um processo de inaptidão. Entender o perfil destes doadores, quais fatores e experiências individuais influenciam na chance de retorno para nova tentativa de doação após o período definido de inaptidão permite a elaboração de estratégias para retenção desses potenciais doadores. Este estudo tem o objetivo de comparar o perfil do doador inapto temporário que retornou para nova doação com aqueles que não retornaram num período de dois anos após a “doação” alvo (inapta), as causas de inaptidões mais frequentes, as taxas de retorno e se a ocorrência da pandemia de COVID-19 influenciou na taxa de retorno de doadores inaptos clínicos temporários. Além disso, serão pesquisadas as intenções de doadores inaptos clínicos temporários de voltar a doar e a motivação daqueles que retornaram para nova tentativa de doação após uma inaptidão clínica. Os resultados nos permitirão entender quais as causas mais frequentes de inaptidão clínica temporária dos últimos anos, o perfil destes doadores, os principais entraves ou motivações para seu retorno, dando subsídio para a Hemominas em desenvolver estratégias de retenção desse público alvo.
Análise molecular de grupos sanguíneos em doadores de sangue para a identificação de variantes raras
Linha de pesquisa:
Imunohematologia
Pesquisadores responsáveis:
Maria Clara Fernandes da Silva Malta – Fundação Hemominas
Sílvia Catarina Salgado Oloris – Fundação Ezequiel Dias
Em bancos de sangue, hemácias com fenótipo raro são definidas como aquelas nas quais está ausente um antígeno eritrocitário de elevada prevalência na população ou vários antígenos, cujas frequências individuais encontram-se equilibradas nas populações; ou ainda como aquelas nas quais está presente um antígeno eritrocitário de baixa prevalência na população. Alguns fenótipos raros apresentam importância clínica, estando envolvidos em reações hemolíticas pós transfusionais. Hemocomponentes compatíveis para pacientes com fenótipos eritrocitários pouco frequentes não estão disponíveis nos estoques dos hemocentros, sendo preciso convocar os doadores previamente incluídos nos bancos de dados ou utilizar bolsas de hemocomponentes criopresenvados para atender a esses pacientes. A Fundação Hemominas, único banco de sangue público de Minas Gerais, apresenta necessidade do desenvolvimento de estratégias para triagem de doadores raros, para que possa atender às necessidades transfusionais no estado. A hemaglutinação é o método de escolha para a determinação de antígenos eritrocitários, mas diversos fatores podem dificultar a fenotipagem. No caso da pesquisa de fenótipos raros, muitas vezes essas dificuldades relacionam-se a não disponibilidade de reagentes (antissoros). Neste contexto, a genotipagem de grupos sanguíneos torna-se uma ferramenta importante, já que permite a inferência dos fenótipos de interesse a partir de informações genotípicas. A presente proposta tem como objetivo avaliar estratégias baseadas em biologia molecular para a triagem de doadores com fenótipos raros, aplicáveis ao processamento de um grande número de amostras. Doadores identificados por meio da realização do projeto serão comunicados à Central de Imunohematologia e incluídos no banco de dados de doadores com fenótipos raros da Fundação HEMOMINAS.
Aprimoramento da técnica de geração de trombina pelo método CAT (Calibrated Automated Thrombogram): avanços e desafios
Linha de pesquisa:
Coagulopatia
Pesquisadores responsáveis:
Danyelle Romana Alves Rios – Universidade Federal de São João del-Rei
Valéria Sutana Ladeira – Fundação Hemominas
Introdução: A técnica de geração de trombina (TGT) tem se mostrado promissora na avaliação de risco de sangramento e trombose, bem como no monitoramento das terapias relacionadas. Apesar de seu grande potencial, ainda há desafios a serem superados, principalmente pré-analíticos, para sua inserção no laboratório clínico. Neste contexto, o objetivo desse trabalho é avaliar o impacto de protocolos distintos de centrifugação e do tempo entre a coleta e o processamento da amostra sobre a TGT, culminando na elaboração de um protocolo local. Métodos: O estudo incluirá 120 participantes distribuídos em quatro grupos distintos (saudável, hipercoagulabilidade, hipocoagulabilidade e terapia anticoagulante). A TGT será realizada pelo método Calibrated Automated Thrombogram (CAT) utilizando plasma pobre em plaquetas (PPP) e três “gatilhos” diferentes de acordo com o grupo avaliado (baixa, intermediária e alta concentração de fator tecidual - reagentes da marca Stago®). A obtenção do PPP será realizada por três protocolos distintos de centrifugação: (1) centrifugação única à 2.500 g por 15 minutos à temperatura ambiente (TA); (2) centrifugação única à 2.500 g por 15 minutos à 4ºC; (3) dupla centrifugação à 2.500 g por 15 minutos à TA, sendo este o protocolo recomendado pelo Comitê Cientifico e de Padronização para Anticoagulante Lúpus/Anticorpos antifosfolípides da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (2021); e por dois intervalos de tempo distintos entre a coleta da amostra e o processamento: (1) dentro de 1 hora após a coleta e (2) entre 1 e 2 horas após a coleta do sangue. Resultados esperados: Espera-se com a execução desta proposta que haja um avanço e aprimoramento do protocolo da TGT, permitindo que procedimentos préanalíticos rotineiros utilizados nos laboratórios de hemostasia, possam ser utilizados também na TGT. Isso levará a superação de mais um desafio relacionado a essa inovadora técnica, tornando-a mais factivel de ser incluída na rotina laboratorial.
Assistência Pública às Pessoas com Hemofilia no Brasil-- Public Assistance for people with Hemophilia in Brasil - PATCH Project
Linha de pesquisa:
Coagulopatias
Pesquisadores responsáveis:
Maria do Rosário Ferraz Roberti – Universidade Federal de Goiás
Adriana Drummond – Fundação Hemominas
As hemofilias A e B são doenças recessivas ligadas ao cromossomo X resultantes de mutações no gene do fator VIII (FVIII) e fator IX (FIX), respectivamente. Ambas estão entre os distúrbios hemorrágicos hereditários mais comuns do mundo e são, clinicamente, indistinguíveis entre si. Os sangramentos na hemofilia são majoritariamente musculoesqueléticos e de partes moles, podendo ser espontâneos e frequentes. A gravidade da doença depende da atividade do fator residual presente no plasma do paciente, o que tem relação direta com o risco de sangramento. O tratamento da hemofilia consiste, basicamente, na reposição profilática ou sob demanda dos fatores de coagulação e tem como principal complicação o desenvolvimento de inibidores, que são aloanticorpos direcionados contra o fator de coagulação administrado. Uma vez presentes, os inibidores interferem na resposta ao tratamento dos sangramentos, levando à ineficiência dos concentrados do fator de coagulação. O único tratamento capaz de erradicar 60% a 80% dos inibidores é a imunotolerância, que requer a infusão periódica de altas doses do concentrado do fator por longo tempo. Para além do tratamento farmacológico, o acompanhamento dos pacientes com hemofilia é complexo e deve ser feito de forma criteriosa e individualizada com o suporte de uma equipe multidisciplinar, seguindo recomendações nacionais e internacionais. Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas pelo Brasil no tratamento da hemofilia, ainda se desconhece o perfil dos centros de tratamento público da hemofilia (chamados hemocentros), no que se refere à estrutura, aos recursos humanos e à integração da rede para a devida assistência às pessoas com hemofilia. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo traçar o perfil dos hemocentros coordenadores e regionais do Brasil de acordo com recomendações nacionais e internacionais e descrever como se dá o diagnóstico e o suporte terapêutico à hemofilia no país. Todos os hemocentros que tratam pessoas com hemofilia serão convidados. Espera-se obter dados completos de pelo menos 50% deles. O resultado será apresentado principalmente de forma descritiva. Ele será apresentado em encontros científicos e finalmente publicado em uma revista que possua um perfil compatível com a proposta do estudo.
Avaliação da eficácia de materiais isolantes térmicos separadores no transporte de hemocomponentes
Linha de pesquisa:
Preparo de Hemocomponentes e Controle de Qualidade
Pesquisador responsável:
Leandro de Freitas Teles
O transporte é um dos pontos críticos de controle no ciclo do sangue, desempenhando um papel essencial na preservação da qualidade dos hemocomponentes e na segurança transfusional. Durante esse processo, o gelo reciclável (gelox) utilizado para manter a temperatura adequada não deve entrar em contato direto com as unidades de concentrado de hemácias e plaquetas, sendo indispensável o uso de um material isolante que os separe. Na Fundação Hemominas, utiliza-se, de forma padronizada, o papelão furado como material separador. No entanto, sua vida útil limitada e a impossibilidade de higienização adequada incentivam a busca por alternativas. Analisar a eficácia de materiais isolantes térmicos separadores como alternativas ao papelão que possam ser utilizados no transporte de Concentrado de Hemácias e Concentrado de Plaquetas. Trata-se de um estudo analítico transversal que avaliará os resultados obtidos a partir do transporte simulado de Concentrados de Hemácias e Concentrados de Plaquetas, utilizando materiais isolantes térmicos alternativos ao papelão como separadores. Validação da montagem das caixas para transporte de Concentrados de Hemácias e Plaquetas utilizando materiais isolantes alternativos ao papelão.
Avaliação da influência de características das unidades de células progenitoras hematopoéticas provenientes do sangue periférico mobilizado na viabilidade celular pós-descongelamento e no desfecho do transplante de medula óssea de pacientes atendidos pelo Centro de Processamento Celular do Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais
Linha de pesquisa:
Transplantes, enxertos e terapia celular
Pesquisador responsável:
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
A criopreservação tem sido usada há muitos anos para manter a viabilidade e a capacidade proliferativa de células progenitoras hematopoéticas (CPH) para transplante de medula óssea (TMO). Uma variedade imensa de técnicas de criopreservação tem sido relatada na literatura e diferentes desfechos de reconstituição hematológica póstransplante tem sido associados aos protocolos laboratoriais. O objetivo deste trabalho é avaliar a influência de características das unidades criopreservadas de CPH provenientes de sangue periférico mobilizado na viabilidade pós-descongelamento e no desfecho do transplante autólogo de pacientes atendidos pelo Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio). Os prontuários dos pacientes arquivados no Cetebio serão revistos para obtenção de informações pessoais, diagnóstico, esquema de mobilização, coleta, criopreservação, armazenamento, condicionamento e reconstituição hematopoética. As caraterísticas da criopreservação serão analisadas e comparadas visando identificar variáveis que exerçam impacto clínico significativo nos desfechos estudados. Além disso, serão geradas informações importantes de ordem econômica para Centro de Processamento Celular do Cetebio, que irão possibilitar a economiade reagentes e espaço de armazenamento.
Avaliação da presença de NETs em crianças com doença falciforme
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
Hélio Moraes de Souza – Universidade Federal do Triangulo Mineiro
Paulo Roberto Juliano Martins – Fundação Hemominas
A doença falciforme é caracterizada por uma mutação no gene da β globina (Glu6Val, βS), o que acarreta a substituição do aminoácido ácido glutâmico pela valina. Essa alteração genética é responsável por modificações na estrutura e função dos eritrócitos, com consequentes complicações clínicas bem conhecidas. A disfunção dos eritrócitos falciformes leva a uma serie de perturbações vasculares com obstrução da microcirculação, além de interação com neutrófilos, monócitos e plaquetas que contribuem para as crises vaso-oclusivas. A neutrofilia em particular tem sido relatada como importante fator na fisiopatologia e progressão da doença. Os neutrófilos exibem um fenótipo ativo, e nessas condições podem formar armadilhas extracelulares, conhecidas como NETs (neutrophil extracelular traps), também são produzidas frente a infecções e têm demonstrado importante ação efetora o que contribui para o estado inflamatório crônico da doença. As armadilhas extracelulares de neutrófilos também são produzidas frente a infecções e têm demonstrado importante ação efetora contra patógenos. Em contrapartida acredita-se que o aumento da produção de NETs pode exacerbar a resposta inflamatória e contribuir para complicações clínicas. Neste sentido, são necessários estudos para elucidar aspectos referentes à formação de armadilhas extracelulares em diferentes momentos e considerando a heterogeneidade interindividual dos pacientes. A partir desse pressuposto objetivamos avaliar a presença de armadilhas extracelulares de neutrófilos em indivíduos com doença falciforme em crise vaso-oclusiva e/ou infecção aguda
Avaliação da qualidade de vida dos pacientes com Anemia Falciforme e o impacto do tratamento em sua saúde física, emocional e social
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadora responsável:
Thiara Guimarães Heleno de Oliveira Pôncio
Avaliação da taxa de formação de novos anticorpos em pacientes aloimunizados portadores de Doença Falciforme atendidos pelo ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte
Linha de pesquisa:
Imunohematologia
Pesquisadora responsável:
Marina dos Santos Brito Silva Furtado – Fundação Hemominas
Embora amplamente utilizada, essa intervenção expõe o paciente ao risco de aloimunização eritrocitária, uma complicação relativamente comum, especialmente em casos de transfusões frequentes, que contribui para o aumento das comorbidades associadas à DF. A incidência de aloimunização, que possui uma etiologia multifatorial, é particularmente elevada em pacientes com doença falciforme quando comparados a outras populações que recebem múltiplas transfusões. Isso ocorre, principalmente, devido à discrepância nos fenótipos de antígenos entre os doadores de sangue e os pacientes com doença falciforme. Além disso, o estado inflamatório do receptor no momento da transfusão também tem um impacto significativo na probabilidade de aloimunização. Indivíduos em bom estado de saúde tendem a ser menos suscetíveis a essa complicação do que aqueles em estado inflamatório. Contribuindo para esse cenário, os pacientes aloimunizados apresentam características genéticas específicas, o que os torna mais susceptíveis à formação de anticorpos contra hemácias. Nesse contexto, o objetivo deste estudo é avaliar a taxa de formação de novos anticorpos entre pacientes aloimunizados diagnosticados com doença falciforme atendidos no ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte, bem como a eficiencia do protocoo de triagem de pesquisa de anticorpos irregulares implementado espcificamente para essa população quando atendidos pelo Laboratório de Prova Cruzada do Hemocentro de Belo Horizonte (HBH).
Avaliação do envelhecimento biológico na doença falciforme
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisador responsável:
Luiz Cláudio Ferreira Romanelli – Fundação Hemominas
O envelhecimento é um fenômeno natural que está associadoa alterações celulares, teciduais e de órgãos, com perda de aptidão física e aumento da suscetibilidade a doenças e maior probabilidade de morte. A progressão do envelhecimento biológico normalmente está associada à idade cronológica, mas há situações que podem levar ao envelhecimento acelerado. A doença falciforme é caracterizada por ser uma doençа complexa e de manifestação heterogênea entre os indivíduos acometidos pela mutação genética causadora da hemoglobinopatia. Os casos graves são caracterizados por recorrentes episódios de vaso-oclusão, hemólise e alterações sistêmicas que comprometem diferentes órgãos. Nesse sentido, a anemia falciforme pode funcionar como um processo acelerado de envelhecimento. Este estudo objetiva avaliar quais fatores associados à doença falciforme podem ter maior impacto sobre o envelhecimento biológico. Serão estudados pacientes com anemia falciforme entre 18 a 60 anos de idade. Como parâmetros do envelhecimento biológico, será avaliada a capacidade funcional de pacientes com anemia falciforme através do questionário Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional-20 (IVCF-20), bem como o tamanho do telômero de leucócitos e a taxa de DNA nuclear e mitocondrial circulantes no plasma. Parâmetros laboratoriais e clínicos indicadores de gravidade e de perfil fenotípico da hemoglobinopatia serão analisados para verificar associação com os indicadores de envelhecimento. Como referência da correlação dos indicadores de envelhecimento biológico com a idade cronológica, serão analisadas amostras de doadores de sangue aptos clínicos e sorológicos (indivíduos saudáveis), buscando-se o pareamento de idade e sexo com o grupo caso. Os dados obtidos do grupo controle serão comparados com os resultados dos pacientes com anemia falciforme.
Avaliação do impacto de fatores nos resultados das transfusões profiláticas nos pacientes com anemia falciforme e risco de acidente vascular encefálico
Linha de pesquisa:
Transfusão de Sangue e Derivados; Hemoglobinopatias
Pesquisadora responsável:
Paulla Rayane Chaves Utsch – Fundação Hemominas
As Doenças Falciformes são condições genéticas autossômicas recessivas, resultantes de mutações na B-globina da hemoglobina. A modificação da molécula induz sua polimerização no interior celular com modificação na morfologia, que comprometem a reologia do sangue. Ocorre vasoclusão e hemólise, com ativação endotelial e inflamatória, hipercoagulabilidade e vasculopatia. Estes fenômenos induzem alterações cerebrovasculares que respondem pelo risco de acidente vascular encefálico já na infância. A terapia transfusional crônica, com objetivo de manter a concentração de hemoglobina entre 10 e 12g/dl e o percentual de hemoglobina S abaixo de 30%, é indicada como profilaxia primária e secundária para os pacientes sob risco. No entanto, muitos centros não conseguem atingir o alvo terapêutico. Não encontramos estudos que avaliem a influência dos fatores envolvidos no resultado das transfusões. Este estudo dividirá os procedimentos em 2 grupos: HbS ≤30% e HbS >30% e fará a comparação, associação e correlação com fatores pessoais (idade, sexo, peso, altura), laboratoriais (concentração de hemoglobina, percentual de hemoglobina S), dos procedimentos (intervalos, tipo de procedimento, volumes) e clínicos (hidroxiuréia, intercorrências).
Avaliação do metabolismo de ferro em paciente com hiperferritinemia após sangria terapêutica
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
Fernanda Bernadelli De Vito - Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Paulo Roberto Juliano Martins – Fundação Hemominas
A flebotomia terapêutica é parte essencial do tratamento, de várias doenças, especialmente aquelas associadas à sobrecarga de ferro. É um tratamento seguro e de baixo custo, que tem como alvo a normalização dos níveis dos metabólitos do ferro no organismo. Atualmente, nas instituições brasileiras, não se faz rotineira a dosagem do ferro e seus metabólitos, nos períodos de seguimento dos pacientes entre as sangrias. Esta avaliação poderia ser relevante para contribuir para a adoção de uma estratégia mais assertiva e adequada para cada indivíduo, e assim, gerar melhores resultados para os pacientes. Assím, o objetivo da presente proposta é avaliar o metabolismo do ferro após sangrias terapêuticas em pacientes com hiperferritinemia. Trata-se de um estudo primário, observacional, longitudinal prospectivo de coorte, no qual serão incluídos pacientes com indicação e prescrição para sangrias terapêuticas. A amostra será composta por todos os pacientes atendidos no Hemocentro Regional de Uberaba, em Uberaba/MG no período de maio de 2023 a julho de 2024, que aceitarem participar do estudo. Serão excluídos aqueles encaminhados para sangria por outros diagnósticos que não seja hiperferritinemia. Serão, avaliados os valores de exames laboratoriais como hemograma completo, vitamina B12, ácido fólico, testes de metabolismo do ferro de função hepática a fim de correlacionar com os dados clínicos visando analisar a real necessidade na indicação da sangria através dos exames laboratoriais sobre o metabolismo do ferro. Também será elaborado um relatório com os dados obtidos nas análises a fim de otimizar o atendimento nos centros de referência terapêutica. Após a análise e discussão dos resultados, será confeccionado um relatório técnico com o parecer obtido sobre as indicações de sangria terapêutica e resultados gerais obtidos na monitorização de alvos terapêuticos, como os metabólitos do ferro e demais exames. Espera-se que a monitorização de resultados sobre alvos terapêuticos, como os metabólitos do ferro, pode levar a uma otimização nas indicações e, por conseguinte, beneficiar os pacientes que terão um tratamento mais individualizado, e por vezes, reduzir visitas hospitalares e melhora na qualidade de vida.
Avaliação do Viroma Sanguíneo em Pacientes com Doença Falciforme Submetidos a Transfusões Crônicas
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias, multidisciplinar
Pesquisadores responsáveis:
Ester Cerdeira Sabino – Universidade de São Paulo
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
A caracterização da comunidade viral associada ao sangue humano, também conhecida como viroma sanguíneo, é importante para a vigilância epidemiológica e pode contribuir para a avaliação de possíveis ameaças à segurança das transfusões de sangue. Embora os doadores de sangue sejam testados quanto a presença de ácidos nucleicos e anticorpos para patógenos conhecidos transmitidos por transfusão, é impossível realizar testes de rotina para todos os agentes infecciosos conhecidos presentes no sangue de doadores saudáveis e potencialmente transmitidos por transfusão. Além disso, vírus desconhecidos ou presumivelmente não patogênicos não são rastreados durante o processo de testagem da doação e podem ser transmitidos aos receptores por produtos sanguíneos, especialmente a pacientes altamente expostos (ou seja, politransfundidos). Portanto, prevenir doenças transmitidas pelo sangue continua sendo um desafio, especialmente em pacientes que requerem transfusões frequentes e crônicas. Além disso, uma proporção significativa de pacientes frequentemente transfundidos é imunocomprometida e pode ser mais suscetível a morbidade e mortalidade se infectada por transfusão. Objetivos: Avaliar as alterações no viroma de pacientes com doença falciforme (DF) cronicamente transfundidos no Brasil antes e após a transfusão. Comparar os resultados do objetivo 1 com a composição do viroma dos respectivos doadores de sangue cujas unidades foram transfundidas nos pacientes com DF. Métodos: Este estudo piloto será conduzido em pacientes com DF cronicamente transfundidos que participam do estudo RBC-IMPACT em cinco hemocentros/hospitais no Brasil. Amostras de plasma serão coletadas antes e depois de cada episódio de transfusão ao longo de aproximadamente dois anos. Serão obtidas amostras dos doadores de sangue cujas unidades foram transfundidas nos pacientes com DF. As amostras serão processadas utilizando uma abordagem metagenômica viral para analisar a composição do viroma e as alterações ocorridas antes e após a transfusão. Resultados esperados: Espera-se que este estudo piloto forneça informações sobre as alterações na abundância e diversidade dos constituintes do viroma em pacientes com DF antes e após a transfusão. Além disso, espera-se que os resultados revelem a presença de vírus conhecidos e desconhecidos, potencialmente transmitidos por transfusão. Compreender as alterações no viroma associadas à transfusão de sangue em pacientes com DF pode contribuir para melhorar a segurança das transfusões e fornecer informações sobre a relação entre o viroma humano e a saúde desses pacientes
Avaliação dos fatores clínicos, genéticos e imunológicos relacionados ao desenvolvimento de inibidores de hemofilia
Linha de pesquisa:
Coagulopatias
Pesquisadores Responsáveis:
Suely Meireles Rezende – Universidade Federal de Minas Gerais
Márcio Antônio Portugal Santana – Fundação Hemominas
A hemofilia congênita é uma doença hemorrágica resultante da deficiência dos fatores VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B) da coagulação, devido a alterações genéticas (mutações) nos genes que codificam estas proteinas. A maioria dos pacientes com hemofilia são imunologicamente não responsivos a infusão de fatores de coagulação (concentrados de fator VIIIou IX), isto é, eles não desenvolvem uma resposta imune clinicamente mensurável, capaz de inibir a atividade coagulante destes fatores. Em 10%-30% e 1%-5% dos pacientes com hemofilia A e B, respectivamente, uma resposta imune pode se desenvolver, levando ao desenvolvimento de inibidores (aloanticorpos). Isto ocasiona ineficácia da reposição de fator e graves complicações hemorrágicas. A fisiopatologia relacionada ao desenvolvimento de inibidores é pouco compreendida. Nos últimos anos, diversos fatores de risco têm sido apontados em associação com esta complicação. Entretanto, fatores de risco individuais não explicam a maioria dos casos, sendo possível que a associação de vários fatores de risco possa estar relacionada a fisiopatologia dos inibidores em hemofilia. O objetivo principal deste projeto é o de identificar potenciais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento destes inibidores, expandindo a investigação para aspectos clínicos, imunológicos e genéticos. Para tal, será constituida uma coorte de pacientes com hemofilias A e B de diagnóstico recente. O desfecho primário será o desenvolvimento de inibidor de relevância clínica. Os potenciais fatores de risco serão avaliados em dois tempos do estudo (ao diagnóstico da hemofilia e ao diagnóstico do inibidor). Além disso, o estudo avaliará a saúde articular e a qualidade de vida, bem como os resultados e custos do programa de profilaxia primária para hemofilia em participantes incluídos no Hemocentro de Belo Horizonte.
Avaliar a têndência de prevalência dos marcadores sorológico para doenças infecciosas passíveis de transfusão sanguínea entre doadores de sangue em três hemocentros nacionais: Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo (FPS/HSP), Hemocentro de Minas Gerais (HEMOMINAS) e Hemocentro de Pernambuco (HEMOPE)
Linha de pesquisa:
Doenças transmissíveis por transfusão e transplante
Pesquisadores responsáveis:
Ester Cerdeira Sabino - Universidade de São Paulo
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
Avaliar a tendência das taxas de doenças infecciosas em doadores de sangue é essencial para monitorar a segurança do suprimento do sangue e hemocomponentes e avaliar a eficácia da seleção do doador. Pouco se conhece sobre a prevalência das doenças transmissíveis pelo sangue no Brasil. Dentre as razões, pode-se relacionar a falta de bancos de dados consolidados, a não-realização de testes confirmatórios e os poucos programas de informática. Dados publicados pelo Ministério da Saúde, em 2017, indicavam o seguinte descarte sorológico no Brasil (relativo apenas às Unidades Hemoterápicas públicas): Anti-HBc: 1,13%%; Chagas: 0,26%; Sífilis: 1,07%; HbsAg: 0,23%; Anti-HCV: 0,33%; HIV: 0,27%; HTLV: 0,31% 1.Ressalte-se que os dados publicados não refletem a prevalência dos marcadores sorológicos, visto que não foram realizados testes confirmatórios e não houve separação entre doadores de primeira vez e doadores de repetição. Assim, para se obter a real prevalência de uma determinada doença passível de transmissão sangüínea, em uma população de doadores, esta deverá ser estabelecida a partir dos doadores de primeira vez, pois eles refletem mais diretamente a tendência desses marcadores na população, enquanto os doadores de repetição, a incidência da doença. Desde a fase 2 do programa REDS, quando iniciamos esse estudo, a equipe de estudo do Brasil conduziu e publicou com sucesso muitos estudos usando dados vinculados de doadores e doações. Estudos anteriores foram essenciais para a compreensão das doenças infecciosas transmitidas por transfusão (TTID) e seu efeito na segurança e suficiência do suprimento de sangue 2-21. Continuando com e aprimorando a estrutura estabelecida de captura de dados de doadores e doações além de estabelecer a captação de informações existentes dos componentes e transfusões nos bancos de dados dos hemocentros participantes, o Programa de Pesquisa de Segurança da Transfusão do REDS-IV-P Brasil estará posicionado para continuar fornecendo uma visão crítica em áreas de saúde pública de preocupação, incluindo saúde do doador, TTIDs estabelecidos e emergentes, disponibilidade e utilização de sangue e seus componentes e risco residual de infecção no Brasil. Esses esforços informarão a política de segurança do sangue no Brasil, outros países da América Latina. Os colaboradores, atividades de pesquisa e estrutura administrativa do Programa de Pesquisa em Segurança da Transfusão do REDS-IV-P Brasil se baseiam diretamente nos métodos bemsucedidos usados no REDS-II / III.
Ensaio clínico de primeira administração em humanos, fase 1/2, duplo-cego, randomizado, controlado com comparador ativo para avaliar a segurança e a imunogenicidade da vacina quimérica SpiN-Tec MCTI UFMG para COVID-19
Linha de pesquisa:
Transplantes, enxertos e terapia celular
Pesquisadores responsáveis:
Helton da Costa Santiago – Universidade Federal de Minas Gerais
Felipe Carlos Brito de Souza – Fundação Hemominas
A pesquisa visa avaliar a segurança e imunogenicidade da vacina SpiN-Tec MCTI UFMG, que combina epítopos das proteínas Spike (S) e N do SARS-CoV-2. A vacina foi desenvolvida pelo CT-Vacinas da UFMG e passou por estudos pré-clínicos promissores. O ensaio clínico conta com três fases: a parte A, para determinar a dose ideal; a parte A2, para avaliar a segurança em idosos; e a parte B, para testar a imunogenicidade comparada à vacina Comirnaty® (Pfizer Bivalente). Com isso, os objetivos específicos são determinar a dose da vacina com melhor perfil de segurança e imunogenicidade; avaliar a resposta imune humoral e celular à vacina em diferentes faixas etárias; comparar a imunogenicidade da SpiN-Tec MCTI UFMG com a vacina Comirnaty® (Pfizer Bivalente) e realizar análise multi-ômica para identificar padrões imunológicos e associações com genótipos HLA. Para isso, a Fundação Hemominas, através do Setor de Histocompatibilidade, irá realizar as tipificações do HLA dos participantes do projeto de pesquisa e os demais membros do projeto de pesquisa realizaram as associações com os genótipos HLA. Desta forma, esperamos encontrar genótipos HLA que estejam associados com a resposta imune à vacina.
Epidemiologia das reações adversas à doação de sangue em um Hemocentro no interior de Minas Gerais
Linha de pesquisa:
Doação de sangue e componentes
Pesquisadores responsáveis:
Sheila Soares da Silva - Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Ricardo Aparecido Olivo – Fundação Hemominas
Introdução: A maioria das doações de sangue ocorre sem qualquer interferência, no entanto, o doador pode apresentar reações adversas durante ou após o ato. A hemovigilância atua de modo a compreender e prevenir as adversidades nos serviços de hemoterapia, evitando maiores consequências. Objetivos: Identificar a prevalência dos diversos tipos de reações adversas à doação de sangue ocorridas no Hemocentro Regional de Uberaba (HRU), analisar seu perfil epidemiológico e, ainda, avaliar a taxa de retorno à doação dos indivíduos que tiveram reações classificadas como leves ou moderadas. Métodos: Estudo documental, quantitativo e de caráter retrospectivo realizado a partir da análise de banco de dados de doadores do Hemocentro Regional de Uberaba entre 2018 e 2025. Resultados esperados: Espera-se encontrar um perfil epidemiológico semelhante ao descrito na literatura atual em relação aos eventos adversos durante a doação de sangue e eventual retorno dos doadores.
Estresse oxidativo e inflamatório na anemia falciforme
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
Cibele Velloso Rodrigues - Universidade Federal de Juiz de Fora
Filipe Otávio Chaves Duarte – Fundação Hemominas
O estudo proposto será retrospectivo e de acompanhamento por ao menos 36 meses, do tipo coorte, realizado em pessoas com anemia falciforme (genótipo SS) cadastrados no Hemocentro Regional de Governador Valadares (HRGV) da Fundação Hemominas, nascidos entre 01/01/1970 a 31/12/2016 e em acompanhamento regular. Serão incluídos pacientes que usam o medicamento hidroxiuréia e os que não fazem a terapia com objetivo de comparações. A avaliação compreenderá entrevista, análise de prontuário e coleta de sangue para análises. Todos os participantes da pesquisa serão convidados a doar amostras de sangue venoso coletadas durante consulta de rotina ao Hemocentro. Estas amostras serão encaminhadas ao Laboratório de Biologia Celular e Genética Molecular –UFJF- Campus Governador Valadares para análises de genotipagem e expressão gênica; marcadores inflamatórios e estresse oxidativo.
Estudo longitudinal multicêntrico da doença falciforme – REDSIV-P
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisador responsável:
Ester Cerdeira Sabino – Universidade de São Paulo
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
Planejamos continuar o acompanhamento da Coorte REDS-III Falciforme como parte do estudo “Estudo Longitudinal Multicêntrico da Doença Falciforme: REDS-V-P” (REDS-IV-P). Todos os pacientes originalmente incluídos na coorte REDS-III Doença Falciforme, não confirmados como mortos ou perdidos após a conclusão do REDS-III Doença Falciforme, serão novamente recrutados para acompanhamento contínuo durante o REDS-IV-P. Também objetivamos inscrever mais 470 crianças menores de cinco anos que são atendidas nos centros participantes do REDS-III Doença Falciforme, a fim de aumentar o número de pacientes pediátricos no REDS-IV-P. Durante a fase 1 (nos dois primeiros anos do programa), realizaremos um estudo de ecocardiograma em um subconjunto de pacientes da coorte. Três estudos-alvo serão realizados na fase 2: inicialmente faremos uma caracterização dos biomarcadores do metabolismo do ferro para correlacioná-los com a carga transfusional e também para caracterizar o impacto da transfusão de sangue nas vias de dano mediadas pelo ferro. Em seguida, estudaremos a capacidade dos anticorpos eritrocitários de significância clínica pouco conhecida de causar hemólise pós-transfusional, após recebimento de sangue incompatível. Isso será avaliado através de um ensaio funcional in vitro. Também será avaliado o impacto da terapia transfusional crônica nesses biomarcadores. Durante a fase 3 (anos 6-7 do programa) todas as análises serão concluídas e os manuscritos serão desenvolvidos para publicação dos resultados. Os objetivos propostos fornecerão uma avaliação detalhada dos efeitos adversos, bem como do potencial benefício da transfusão de sangue em pacientes com DF. Além disso, os dados clínicos longitudinais, abrangendo 10 anos de acompanhamento no decorrer do REDS-III e IV-P Doença Falciforme, correlacionados com os dados existentes de genotipagens (Single Nucleotide Polymorphism - SNP e whole-genome sequencing - WGS), permitirão resultados clínicos abrangentes e estudos de associação genótipo-fenótipo. Portanto, prevemos que a continuação do acompanhamento dessa coorte fornecerá dados fundamentais para orientar o manejo clínico e a pesquisa de pacientes com Doença Falciforme no Brasil e no mundo. O protocolo ainda propõe desenvolver e utilizar algoritmos baseados em inteligência artificial para analisar prontuários eletrônicos dos participantes do projeto, com o objetivo de identificar e extrair dados, tais como histórico clínico e laboratorial, informações relacionadas à terapia transfusional e outras intervenções. Essa abordagem busca otimizar a coleta de dados, garantindo maior agilidade, consistência e qualidade nas análises, especialmente em virtude do grande volume de informações disponíveis nos prontuários. Além disso, o método contribuirá para reduzir a necessidade de revisão manual extensiva pela equipe, permitindo que os pesquisadores foquem na interpretação dos dados e nas análises clínicas.
Hemocromatose: Perfil Epidemiológico no Hemonúcleo de Manhuaçu-MG
Linha de pesquisa:
Multidisciplinar
Pesquisadora responsável:
Thiara Guimarães Heleno de Oliveira Pôncio – Fundação Hemominas
Este estudo investigará o perfil epidemiológico dos pacientes com Hemocromatose acompanhados no ambulatório da Fundação Hemominas em Manhuaçu-MG, utilizando uma abordagem qualitativa. Os dados serão coletados por meio de revisão de prontuários e aplicação de questionário estruturado. Os objetivos incluem a caracterização demográfica e clínica dos pacientes, a determinação da prevalência da doença na região, análise dos métodos de tratamento utilizados e avaliação das complicações associadas. Espera-se que os resultados contribuam para o desenvolvimento de políticas de saúde mais eficazes e para melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados pela Hemocromatose. A pesquisa busca preencher lacunas no conhecimento atual sobre a condição na região de Manhuaçu-MG, oferecendo dados valiosos que podem orientar a prática clínica e a gestão de saúde pública voltada para essa enfermidade.
História natural das alfa e beta talassemias em coorte de pacientes acompanhados na Fundação Hemominas
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
Eduardo Martín Tarazona Santos – Universidade Federal de Minas Gerais
As talassemias estão entre as desordens genéticas mais comuns do mundo, ocorrendo com maior frequência na região do mar mediterrâneo, no subcontinente indiano, sudeste asiático e África ocidental. Entretanto, não há estimativa segura de prevalência das talassemias no Brasil, incluindo-se o estado de Minas Gerais. O desequilíbrio de cadeias de hemoglobina causa hemólise excessiva das hemácias e eritropoiese ineficaz da medula óssea. As complicações clínicas têm origem fisiopatológica na hematopoese ineficiente e hematopoese extramedular e nos efeitos adversos relacionados ao tratamento. Embora as manifestações clínicas das talassemias sejam conhecidas, a variação de gravidade, a frequência das manifestações e os fatores de risco são lacunas significativas na compreensão da história natural da desordem. No Brasil, a história natural das talassemias não está estabelecida. Além disso, as complicações clínicas das talassemias possuem causas multifatoriais e dependem do genótipo dos pacientes, de fatores ambientais e da disponibilidade e aderência ao protocolo de tratamento. Compreender a talassemia em sua totalidade (aspectos clínicos, laboratoriais e genéticos) pode contribuir para um manejo terapêutico adequado e diferenciado da doença e, consequentemente, para melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida dos pacientes acometidos. Além disso, o esclarecimento do genótipo possibilita o aconselhamento genético adequado, passo fundamental para o controle da doença. Adicionalmente, a identificação do genótipo pode auxiliar no prognóstico de agravos com reflexo na abordagem clínica e adoção de medidas preventivas, como, por exemplo, a frequência anual de consultas ambulatoriais. O objetivo deste projeto é descrever a história natural da alfa e beta talassemia (doença da hemoglobina H, beta talassemia intermediária e beta talassemia major) no estado de Minas Gerais.
História natural de crianças portadoras da hemoglobina S em associação com hemoglobinas variantes raras ou com mutações beta-talassêmicas em coorte derivada do Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais e assistidas na Fundação HEMOMINAS
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
Paulo do Val Rezende – Fundação Hemominas
Marcos Borato Viana – Universidade Federal de Minas Gerais
A presença do gene da HbS é alta no Brasil. O estado de Minas Gerais coloca-se entre os cinco estados com maior número de casos registrados de doença falciforme. A coexistência de HbS com Hb variante (HbSVar) cujo padrão laboratorial seja distinto das hemoglobinas S e A gera incerteza sobre a possibilidade de repercussão clínica ou hematológica da combinação. Hb variante com padrão laboratorial da HbA gera confusão com S-beta talassemia. Os relatos na literatura sobre essas hemoglobinas variantes são escassos e, em geral, compreendem poucos casos analisados. A combinação dessas variantes com a HbS é ainda mais rara e, portanto, merecem descrição clínica e laboratorial, principalmente quando feita em uma coorte de recém-nascidos, onde o follow-up torna essas observações mais fidedignas. Os indivíduos a serem avaliados são provenientes da triagem neonatal (PTN-MG) realizada pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (NUPAD) da Faculdade de Medicina da UFMG, por meio do Programa de Triagem Neonatal e acompanhadas nos Hemocentros de Minas Gerais da Fundação Hemominas. O estudo terá um desenho de coorte, parte prospectiva e parte retrospectiva, realizado, até o momento, com cerca de 30 a 40 crianças triadas pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (NUPAD), nas quais foram detectadas a presença de um alelo S associado a outro alelo com alguma hemoglobina variante não usualmente relacionada à doença falciforme. Serão analisadas as crianças do PTN-MG nascidas de janeiro de 1999 a dezembro de 2023, por meio de um estudo do tipo coorte retrospectiva e prospectiva. Serão coletados em programa específico criado no Access (Microsoft) dados clínicos e laboratoriais das crianças portadoras da HbS em associação com outras hemoglobinas variantes raras. As variáveis clínicas analisadas serão: idade; sexo; síndrome torácica aguda; pressão arterial; saturimetria periférica; crise vasooclusiva; síndrome mão-pé; sequestro esplênico agudo; osteomielite; albuminúria; hemoglobinúria; retinopatia falciforme; crise aplástica; meningite e/ou septicemia; transfusões sanguíneas; doença cerebrovascular (presença de AVC isquêmico clínico ou risco elevado de AVC, avaliado pelo exame de Doppler transcraniano); e outras manifestações menos comuns. As variáveis hematológicas analisadas serão: concentração total de hemoglobina (Hb), volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina corpuscular média (HCM), leucometria total (LEU), plaquetometria (PLAQ), concentração de hemoglobina fetal (Hb F), da Hb S da Hb A ou da Hb variante, e contagem de reticulócitos (Retic).
Impacto de marcadores genéticos e bioquímicos sobre a suscetibilidade à infecção, gravidade e desfechos clínicos da COVID-19
Linha de pesquisa:
Imuno-hematologia
Pesquisadora responsável:
Ana Paula Lucas Mota – Universidade Federal de Minas Gerais
Maria Clara Fernandes da Silva Malta – Fundação Hemominas
Tendo em vista que a pandemia da Covid-19 afetou diversos setores da sociedade e causou muitas mortes por todo o mundo, o estudo de fatores que impactam na suscetibilidade, gravidade e desfechos clínicos de casos ligados a esta doença, são de grande interesse. Diversos estudos mostram uma ligação direta entre o sistema de grupo sanguíneo ABO e o desfecho da infecção pelo SARS-CoV-2 em diferentes populações. Adicionalmente, é sabido que diversos marcadores bioquímicos, de forma especial aqueles relacionadas à inflamação, também afetam o desfecho clínico da COVID-19. No entanto há muitas lacunas de conhecimento sobre este tema, especialmento no que se refere á persistência prolongada de sintomas após a infecção ativa. Diante do exposto, o presente estudo visa avaliar, a associação entre o sistema ABO, bem como de marcadores bioquímicos e os desfechos clínicos da Covid-19. As populações do estudo serão constituídas por indivíduos com e sem infecção ativa po COVID-19. Também serão avaliados pacientes com síndrome da Covid longa. Os participantes serão rerutados nas dependências da UFMG e do Hospital Risoleta Neves. Cada grupo amostral será constituído de 80 a 120 participantes, totalizando de 160 a 240 o total de participantes da pesquisa. A presença de infecção ativa pelo SARS-Cov-2 será avaliada por meio de kits de teste rápido baseado em imunocromatografia, usando amostra de swab nasal. Será aplicado um questionário para avaliação de perfil demográfico e manifestações clínicas da COVID-19. Além disso, serão realizados exames laboratoriais: genotipagem de polimorfismos do sistema ABO, avaliação do Fator von Willebrand (FvW) e TNF-alfa por ensaio imunoenzimático (ELISA), dosagem dos níveis séricos dos marcadores interleucina 8 (IL-8/CXCL8), RANTES (CCL5/RANTES), monocina induzida por interferon-gama (CXCL9/ MIG), proteína quimioatrativa de monócitos do tipo 1 (CCL2/MCP-1) e proteína 10 induzida por interferon-gama (CXCL10/IP-10) por citometria de fluxo, cálculo dos índices inflamatórios derivados do hemograma. Análises estatísticas serão realizadas para correlacionais os biomarcadores estudados e os sinais e sintomas da COVID-19 na população estudada.
Mais do que dor: investigação de transtornos afetivos em pacientes com doença falciforme
Linha de pesquisa:
Psicologia e educação em saúde
Pesquisadora responsável:
Kíssyla Lacerda – Fundação Hemominas
A doença falciforme (DF) é descrita como um grupo de doenças hereditárias resultantes de uma mutação no Gene HBB, responsável pela codificação da subunidade Beta-globina da hemoglobina (HbA). Trata-se de doença de condição autossômica recessiva que produz um tipo anormal de hemoglobina, conhecida como Hemoglobina S (HbS), que em seu estado desoxigenado, forma polímeros rígidos, levando à deformação dos eritrócitos. Em seu processo fisiopatológico, a anormalidade da hemoglobina é responsável por uma série de sintomas e complicações, tais como: síndrome torácica aguda, processos infecciosos, acidentes vasculares cerebrais, convulsões, priapismo, dentre outros. Estudos apontam que o curso da doença e as complicações advindas dessa, estão relacionadas com o surgimento de transtornos afetivos, como por exemplo ansiedade e depressão. Além disso, aspectos da doença afastam os indivíduos do contato social, o que por sua vez pode reforçar o ciclo solidão-depressão. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é investigar a saúde mental de indivíduos com doença falciforme e os traços emocionais relacionados ao engajamento social. A amostra será composta por 200 participantes, dividida em dois grupos, a saber: Grupo controle (C), composto por indivíduos que virão a realizar doação de sangue no Hemocentro de Belo Horizonte; e Grupo doença falciforme (DF), composto por pacientes atendidos no ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte. As medidas psicométricas utilizadas serão: Inventário de depressão de Beck, Inventário de ansiedade de Beck, Escala de Solidão - UCLA, Escala de Apoio social - MOS e escala de saúde geral, desenvolvida pela equipe de pesquisa.
Modelagem em Cadeias de Suprimento de Sangue
Linha de pesquisa:
Preparo de hemocomponentes e controle de qualidade
Pesquisadores responsáveis:
Lásara Fabrícia Rodrigues – Universidade Federal de Minas Gerais
Marcelo Froes Assunção – Fundação Hemominas
As cadeias de suprimento de sangue podem ser divididas nas etapas de coleta, produção, armazenamento e distribuição. A coleta se inicia com a doação de sangue. Nas etapas de produção, armazenamento e distribuição acontece o fracionamento do sangue total em seus hemocomponentes e hemoderivados e a distribuição desses produtos aos hospitais que disponibilizam o produto sanguíneo para os pacientes. Cadeias de suprimento de sangue possuem particularidades, principalmente em relação ao seu impacto social. O sangue é altamente perecível e possui diversos componentes, cada um, com um prazo de validade, o que influencia nas taxas de desperdício. As demandas e ofertas são aleatórias e a escassez de produto sanguíneo pode originar consequências fatais. Nessa perspectiva, a Pesquisa Operacional vem sendo utilizada em problemas de apoio a decisão nessas cadeias, especialmente quando comportamentos aleatórios estão presentes. Os estudos se concentram principalmente em modelos que minimizam os níveis de escassez e desperdícios na etapa de armazenamento. Contudo, existem estudos nos processos de coleta e distribuição, em sistemas regionais de distribuição, na integração de todos os processos da cadeia sanguínea e situações de desastres. Já no contexto brasileiro, os estudos são escassos e se encontram nas etapas de coleta (Soares et al., 2020) e armazenagem (Magalhães, 2018). Portanto, o objetivo deste estudo é modelar a cadeia de suprimento de sangue do estado de Minas Gerais gerenciada pela Fundação Hemominas. Nessa análise, serão desenvolvidos modelos para auxiliar na identificação da topologia de rede ideal para a cadeia de suprimentos de sangue e para analisar o fluxo de hemocomponentes nessa cadeia. Como resultados, pretende-se analisar configurações alternativas de rede e de logística de transporte e armazenamento auxiliando no projeto de cadeias de suprimento de sangue resilientes. Pretende-se ainda auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas utilizando critérios objetivos e subsidiando a tomada de decisão.
O Serviço Social na hemoterapia: efetivação do direito à saúde
Linha de pesquisa:
Doação de sangue e componentes, Multidisciplinar
Pesquisadores responsáveis:
Thaysi Poliani Ribeiro Melo – Fundação Hemominas
O presente trabalho tem o objetivo de reconstruir historicamente a intervenção profissional dos e das assistentes sociais na política de sangue e hemoderivados, pensando a solidariedade e a cidadanía como instrumentos na efetivação do direito e ao acesso à política pública de saúde. Entendendo a política pública na área da hemoterapia como direito social, diante de uma atuação cidadã em prol do fortalecendo das relações sociais. Para tanto, será realizado um resgate histórico da hemoterapia com destaque para о Brasil e o Estado de Minas Gerais, com recorte na inserção do serviço social nas Unidades de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais e o levantamento das ações desenvolvidas pelos e pelas assistentes sociais, no decorrer da implantação e efetivação dos Hemocentros, inseridos na estratégia do Sistema Único de Saúde. Diante da defesa de um modelo de saúde não biologicista, que entende o usuário em sua perspectiva totalidade, o profissional de serviço social é compreendido como fundamental nessa composição, não apenas por sua formação, mas para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde como direito de todos e todas e dever do Estado.
Plataforma Integrada para Análise, Predição e Vigilância em Histocompatibilidade: HLAi na População de Minas Gerais
Linha de pesquisa:
Transplantes, enxertos e terapia celular
Pesquisador responsável:
Felipe Carlos Brito de Souza – Fundação Hemominas
O projeto HLAi propõe uma abordagem integrada e inovadora para análise, predição e vigilância em histocompatibilidade, utilizando exclusivamente ferramentas open-source de inteligência artificial e ciência de dados aplicadas ao sistema HLA (Human Leukocyte Antigen). A plataforma integrará dados brutos e intermediários já disponíveis no Laboratório de Histocompatibilidade da Fundação Hemominas, provenientes de testes moleculares de alta resolução (NGS - Next Generation Sequencing), testes de média resolução (SSO - Sequence Specific Oligonucleotide) e ensaios imunológicos (painéis de reatividade HLA, crossmatch CDC e citometria de fluxo) para criar um ecossistema unificado de suporte à decisão clínica em transplantes. Através da aplicação de metodologias avançadas de aprendizado de máquina, modelos de linguagem de grande escala (LLM) e visão computacional, todas baseadas em tecnologias abertas e gratuitas, o projeto visa desenvolver modelos preditivos multimodais capazes de otimizar a compatibilidade doador-receptor, predizer padrões de reatividade de anticorpos e implementar sistemas de vigilância estatística em tempo real. A plataforma será desenvolvida com rigorosa aderência aos princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a anonimização e governança adequada dos dados sensíveis de saúde. O projeto apresenta viabilidade técnica e científica excepcional por utilizar exclusivamente recursos já disponíveis na Fundação Hemominas, incluindo infraestrutura computacional existente, dados gerados rotineiramente pelo laboratório e equipe técnica interna especializada. Esta abordagem garante sustentabilidade a longo prazo e alinhamento com as diretrizes institucionais de otimização de recursos e inovação responsável. Os resultados esperados incluem a melhoria da precisão na seleção de doadores compatíveis, redução do tempo de análise laboratorial, desenvolvimento de ferramentas de predição de rejeição e criação de um repositório de conhecimento sobre a diversidade HLA na população mineira, tudo isso sem custos adicionais para a instituição.
Proteínas recombinantes para o desenvolvimento de testes sorológicos para os vírus HTLV-1 e HTLV-1/2
Linha de pesquisa:
Doenças transmissíveis por transfusão e transplante
Pesquisadoras responsáveis:
Edel Figueiredo Barbosa Stancioli – Universidade Federal de Minas Gerais
Marina Lobato Martins – Fundação Hemominas
Os vírus HTLV-1 e 2 infectam milhões de pessoas no mundo, sendo o Brasil o detentor do maior número absoluto de indivíduos infectados. Parte desses permanece assintomático, potenciais disseminadores do vírus, e 5-10% dos infectados desenvolvem doenças incuráveis: quadros neoplásicos e neurodegenerativos, além de intercorrências clínicas HTLV-1/2-associadas, com perda da qualidade de vida e alto impacto para o sistema de saúde. Estas infecções são negligenciadas no Brasil, com deficiência nos serviços de diagnóstico, atendimento e acompanhamento dos portadores dos vírus. A detecção das populações de risco e o diagnóstico são a estratégia para diminuir a disseminação viral na população e garantir a assistência ao portador do vírus. Diante do grande impacto destas viroses no sistema de saúde e a necessidade de autonomia na biotecnologia nacional, este projeto visa produzir proteínas recombinantes simples ou multiepitopo do HTLV-1 e 2 e a geração de testes de triagem sorológica, com destaque para um teste rápido imunocromatográfico. Destaca-se a produção de testes mais específicos e sensíveis, para a melhoria dos algoritmos de triagem e a redução no número de testes inconclusivos. Serão produzidas proteínas simples e multiepitopo recombinantes em vetor procarioto, para o desenvolvimento de testes diagnósticos (ELISA e teste rápido imunocromatográfico) para os vírus HTLV-1/2, desenhadas a partir de proteínas estruturais e não estruturais do HTLV-1 e HTLV-2, utilizadas como critério de positividade nos testes mundiais de Western blot. Para alcançar este objetivo principal, este projeto propõe: Desenhar e produzir genes sintéticos com códon otimizado para Escherichia coli contendo epítopos de proteínas estruturais e não estruturais dos vírus HTLV-1/2, que possibilitem a detecção dos indivíduos infectados pelo HTLV-1, HTLV-2 ou ambos os vírus; Estudar a expressão otimizada em diferentes linhagens de E. coli; Expressar e purificar as proteínas recombinantes produzidas; Desenvolver ensaios de Western para validação das moléculas produzidas; Desenvolver um teste ELISA indireto, utilizando as moléculas produzidas como suporte sólido; Desenvolver um teste de imunocromatografia lateral para a detecção rápida do HTLV-1/2; Desenvolver ensaios sorológicos baseados no uso de beads comerciais como suportes sólidos para as moléculas quiméricas desenvolvidas e em testes de medida colorimétrica, como os baseados no uso de citometria de fluxo e quimioluminescência. Serão utilizadas amostras de sangue periférico provenientes de indivíduos infectados e não infectados por HTLV-1/2, submetidos à avaliação clínico-laboratorial realizada na Fundação HEMOMINAS e Rede SARAH de Hospitais do Aparelho Locomotor. Soro/plasma será avaliado para a presença de anticorpos para Hepatite B e C, HIV, Sífilis, Chagas e HTLV-1/2 por diferentes metodologias. Os indivíduos soropositivos e soronegativos para HTLV-1/2, analisados por ELISA, Western Blot e PCR, fazem parte da coorte GIPH e o soro/plasma a ser utilizado faz parte do biorrepositório da coorte sediada na Fundação HEMOMINAS. O desenvolvimento de alternativas e tecnologia de insumos nacionais é essencial para garantir a implantação e manutenção de procedimentos de saúde com plena cobertura pelos Estados. Os vírus HTLV-1 e HTLV-2, embora subnotificados, já se encontram desde 1993 com obrigatoriedade de testagem em hemocentros. Há ainda a disponibilização de testes em alguns Estados em grupos como grávidas, neonatos, dentre outros. A obtenção de produtos biotecnológicos brasileiros, com vistas à produção de kits diagnósticos para HTLV, traz uma perspectiva futura para diminuição de custos com o diagnóstico viral e também ajudará na divulgação da infecção pelo HTLV entre os profissionais de saúde, considerando que há um baixo nível de conhecimento em relação ao HTLV, o que leva a um subdiagnóstico ou diagnóstico tardio, e à não orientação do portador quanto às medidas de prevenção da transmissão viral.
RBC-Aperfeiçoamento as transfusões para receptores de sangue transfundidos cronicamente (Programa RBC-IMPACT no Brasil)
Linha de pesquisa:
Transfusão de sangue e derivados
Pesquisadores responsáveis:
Carla Luana Dinardo – Faculdade de Medicina da USP
André Rolim Belisário – Fundação Hemominas
A doença falciforme (DF) é uma doença monogênica que afeta o gene HBB e se apresenta com hemólise crônica, episódios vaso-oclusivos e outras complicações em diversos órgãos. Uma terapia primária para prevenir certas complicações da DF (como, por exemplo, acidente vascular cerebral) é a transfusão regular de hemácias, juntamente com quelação de ferro para prevenir as complicações da sobrecarga de ferro transfusional. Uma avaliação dos fatores associados à sobrevivência das hemácias transfundidas e ao risco da sobrecarga de ferro é necessária para compreender a melhor forma de otimizar a transfusão de hemácias para pacientes com DF, por meio de testes expandidos para esses fatores, em doadores e receptores, que predizem a sobrevivência das hemácias. O objetivo do estudo “RBC - Aperfeiçoando as transfusões para receptores de sangue transfundidos cronicamente (ou RBC – IMPACT no Brasil)” é avaliar como características de doadores, componente e receptores contribuem para a eficácia da transfusão de hemácias em pacientes com DF cronicamente transfundidos, com foco em como fatores genéticos específicos de doadores e receptores geram impacto na sobrevivência das hemácias pós-transfusão. Como a toxicidade tecidual relacionada ao ferro é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes regularmente transfundidos, o desenvolvimento de estratégias para minimizar a carga e a toxicidade do ferro é um objetivo fundamental da nossa proposta, decorrente do propósito de otimizar as características da unidade de hemácias que os pacientes com DF recebem, além da correspondência de fenótipo padrão (C-E-K). No Objetivo 1, o estudo avaliará os marcadores de sobrevivência das hemácias em receptores em terapia de transfusão usando dados obtidos de uma matriz de variantes de gene de baixo custo, outras medidas de qualidade de hemácias e dados de acompanhamento clínico. A eficácia será definida pela mudança na hemoglobina (Hb) A, por dia, entre as visitas de transfusão. No Objetivo 2, iremos medir os marcadores de hemólise e parâmetros de ferro, antes e duas horas após a transfusão, em uma única unidade, em pacientes com DF em terapia de transfusão, para avaliar a carga inicial de ferro após a transfusão de rotina.
Rede de bancos de sangue para avaliar epidemias e suscetibilidades na população
Linha de pesquisa:
Doação de sangue e componentes; Doenças transmissíveis por transfusão e transplante
Pesquisadores responsáveis:
Ester Cerdeira Sabino – Universidade de São Paulo
Fabiana Camargos Chagas – Fundação Hemominas
Um dos maiores desafios durante uma epidemia é determinar com precisão o número de pessoas infectadas, especialmente considerando os casos assintomáticos. O uso da população de banco de sangue pode auxiliar a entender o tamanho de cada epidemia em cada local e saber quantas pessoas estão suscetíveis a doença. O total de casos de dengue passou de 690,8 mil em 2022 para 899,5 mil em 2023. No caso da chicungunha foram notificados 86,9 mil casos da doença, representando uma taxa de incidência de 40,7 casos por 100 mil habitantes (1). Entre 31/12/2023 e 27/07/2024 foram notificados 8.078 casos confirmados de Oropuche em 5 países das Américas, sendo que destes 7.284 casos ocorreram no Brasil e incluem 2 mortes e 75,7% dos casos se concentram na região amazônica do país (2). Entre dezembro de 2018 e dezembro de 2021 a presença do vírus Mayaro (MAYV) foi detectada em 3,4% (28/822) dos pacientes com febre em Roraima, região amazônica, em um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (3). Apesar de todas as medidas tomadas durante a pandemia de covid-19 para agilizar os procedimentos para se colocar um estudo em campo, o tempo necessário para cumprir as obrigações ainda era longo. Nossos objetivos são: formar uma rede de bancos de sangue junto ao Instituto Todos pela Saúde (ITpS) que consiga agir prontamente se assim for necessário, avaliar infecção prévia para CHIKV através da detecção de anticorpos IgG e definir a % de população suscetível a esta infecção e entender o nível basal de anticorpo IgM antidengue. Dados anonimizados de doadores de sangue e amostras de doação serão extraídos dos bancos de dados dos hemocentros da rede que estamos formando e serão recebidos pelo software especialmente desenvolvido para este projeto. Selecionaremos aleatoriamente 685 amostras de novembro de 2023 de cada hemocentro proporcionalmente à população das regiões intermediárias de cada estado onde os hemocentros da rede se localizam. O mesmo será realizado nos meses de Junho e Novembro de 2024 e Junho 2025. Testaremos o residual das amostras selecionadas para IgM, IgG DENV, IgG CHIKV, IgG OROV e IgG MAYV. Calcularemos as frequências de positividade de cada estado e o intervalo de confiança de 95%. Relatórios gerados pelo software desenvolvido para este estudo auxiliaram as secretarias de saúde na vigilância de doenças.
Registro nacional de pessoas com hemofilia A em uso de emicizumabe no Brasil (Emicizumab Cases, EMCase)
Linha de pesquisa:
Hemoglobinopatias
Pesquisadores responsáveis:
Juliana Álvares-Teodoro – Universidade Federal de Minas Gerais
Nadma Dantas Silva – Fundação Hemominas
Hemofilia A (HA) é uma doença causada por uma mutação deletéria no gene F8, responsável pelo cofator da coagulação fator VIII (FVIII). Tem transmissão recessiva ligada ao sexo, acometendo principalmente homens, uma vez que o gene está localizado no cromossomo X. Os portadores da doença podem apresentar níveis plasmáticos reduzidos de FVIII (FVIII:C), o que aumenta o risco de sangramento após traumas corriqueiros ou cirurgia, mas também podem sofrer sangramentos espontâneos, principalmente se possuírem FVIII:C menor que 1% do normal (HA grave). Geralmente os sangramentos espontâneos são intrarticulares (hemartroses) e causam sequelas graves, com síndrome de imobilidade pela artropatia conseguinte. Outros sangramentos podem ser letais, como em sistema nervoso central e em trato digestório. Quando ocorrem sangramentos – ou na iminência do risco de sangrar –, a infusão endovenosa de FVIII promove a hemostasia. Por conta disso, a infusão frequente de FVIII (profilaxia) é indicada para prevenir sangramentos espontâneos e póstraumáticos corriqueiros e normalizar o padrão de sangramento, durante procedimentos cirúrgicos. Entretanto, o uso de uma proteína inexistente no organismo do portador de HA grave aumenta o risco de se desenvolver um anticorpo que reduza a atividade hemostática desse pró-coagulante (inibidor). Pessoas que possuem inibidor não têm resposta adequada ao FVIII, sendo candidatas à imunotolerância, terapia capaz de reverter em até 80% dos casos a resposta ao pró-coagulante. Os pacientes que não obtiverem resposta favorável, porém, deverão usar agentes de by-pass por via endovenosa, para tratar e prevenir sangramentos. Como todos esses agentes pró-coagulantes são de uso endovenoso, há sempre risco de não adesão do paciente, o que propicia sangramentos de escape, com desenvolvimento de artropatias, síndrome de imobilidade e dor crônica. Com a piora dessas complicações, ocorre redução da interação interpessoal, desenvolvimento de ansiedade e depressão, dependência para atividades diárias e, por fim, piora da qualidade de vida. Num espectro mais drástico, a falta de adesão pode aumentar a mortalidade, principalmente em pessoas com HA e inibidor. Uma opção pesquisada para facilitar o manejo da terapia, garantindo-se a eficácia da hemostasia em profilaxia, é o desenvolvimento de produtos de meia vida estendida com vias de administração alternativas (i.e., não endovenosa). O emicizumabe (MC-Ab) é um anticorpo humanizado biespecífico capaz de se ligar aos fatores IXa e X, agilizando a ativação do fator X. Ele tem sido estudado como alternativa não substitutiva na profilaxia de HA, tanto em crianças como em adultos. Até o momento, seu uso está aprovado em vários locais do mundo – incluindo o Brasil –, para pacientes com inibidor. Há estudo em andamento para uso durante a imunotolerância e em pessoas com HA sem inibidor. Aparentemente, o sucesso hemostático em profilaxia chega a alcançar 100%, com bons relatos inclusive em situações de trauma ou cirurgia. Em contrapartida, ainda não está muito esclarecida a segurança do produto, pois a prescrição é muito recente e há alguns casos relatados de trombose, microangiopatia trombótica e desenvolvimento de anticorpo anti-anticorpo. Recomendações publicadas por experts e algumas organizações orientam o uso do fármaco, para evitar tais eventos trombóticos, o que parece ter surtido efeito adequado. No Brasil, a aprovação da substância ocorreu em 2018 e existe possibilidade de vários pacientes preencherem o critério para uso. A proposta deste projeto é criar um registro nacional para se acompanharem os pacientes em uso de MC, avaliando-se indicadores clássicos da hemofilia, resultados laboratoriais, evolução terapêutica e o grau de satisfação da equipe com o produto, ao longo de 10 anos. Farmacovigilância e avaliação econômica também serão incluídas. Finalmente, pretende-se desenvolver uma recomendação nacional, com o auxílio das equipes interdisciplinares dos centros envolvidos.
Titulação de Isoaglutininas Anti-A e Anti-B Plaquetárias na Plataforma Ortho Clinical Diagnosis® (método teste de aglutinação em coluna por microesferas de vidro, Sistema Ortho Biovue®)
Linha de pesquisa:
Imunohematologia
Pesquisadores responsáveis:
Pedro Guatimosim Vidigal – Universidade Federal de Minas Gerais
Fabiana Chagas Camargos – Fundação Hemominas
A transfusão de plaquetas com incompatibilidade ABO Menor, isto é, o plasma da unidade plaquetária é incompatível com as hemácias do receptor da transfusão, está associada à redução do incremento plaquetário pós transfusional e à reação intravascular hemolítica aguda transfusional. A triagem universal dos títulos IgM dos hemocomponentes plaquetários, por titulações seriadas, em temperatura ambiente, na metodologia de fase sólida e em plataforma automatizada é um recurso atual para a auxílio na seleção do melhor hemocomponente plaquetário a receptores adultos e pediátricos. Na prática recente da unidade transfusional do HC UFMG, é utilizado o equipamento automatizado OrthoVisionSwift® na metodologia de aglutinação em coluna por esferas de vidro, sistema Ortho BioVue® da plataforma Ortho Clinical Diagnosis®. Porém, até o presente momento, inexistem estudos que tenham comparado os títulos finais de isoaglutininas na fase sólida entre a aglutinação de esfera de vidro e a aglutinação em gel. O presente estudo pretende analisar 200 hemocomponentes plaquetários do grupo O com o objetivo de determinar qual a titulação final de isoaglutininas IgM anti-A e anti-B em coluna por microesferas de vidro corresponde às titulações finais em coluna de gel e em tubo. Espera-se que a titulação final de isoagulutinina IgM anti-A e anti-B na metodologia de aglutinação por microesferas seja aproximadamente uma ou duas diluições mais alta que a metodologia em tubo e seja equivalente as titulações finais da metodologia de aglutinação em gel. A determinação dos hemocomponentes com títulos maiores que 64 na rotina do HC-UFMG, facilitará a prevenção ou redução das transfusões com incompatibilidade ABO Menor perigosas e, por conseguinte, das reações transfusionais hemolíticas. Espera-se que o percentual de hemocomponentes plaquetários do grupo O com titulação maior que 1:64 na rotina do HC-UFMG seja de aproximadamente 70%. Espera-se que esse percentual seja mais elevado nos hemocomponentes pool que nas plaquetafereses e mais elevado nos pools e plaquetafereses de dose simples do que nos de dose dupla.